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Mostrando postagens de abril, 2008

Daquele tipo de gente que brilha só de estar, não importa o lugar

  Sabe daquele tipo de gente que brilha só de estar, não importa o lugar? Você já viu gente que não precisa cumprimentar, porque é cumprimentado primeiro? Consegue imaginar pessoas assim? O brilho nos olhos despertava simpatia imediata em todos. Se havia inveja, eu não sei. Só sei que eles tinham tudo, eles podiam ser o que quisessem, e não havia olho gordo que pegasse neles. Eram gente especial.  Os dois separados eram especiais. Mas juntos era realmente de impressionar. Os garçons lhes davam preferência sem nunca terem pedido nada. Garçons, enfermeiros, bombeiros e professores primários parecem possuir um sexto sentido, reconhecendo de imediato personalidades nobres. Eles têm anjo da guarda grande! São profissões que vivem para servir. São protegidos. Dificilmente um garçom não reconhece de pronto uma personalidade tacanha, um espírito de porco, ou um espírito nobre. Nobre não tem nada a ver com ostentação. Tem a ver com espírito, com atitude, com o modo de ser. Um brilho e...

Os barões do café

  Naquela época, um exportador de café tinha que vir de uma família de cafeicultores. Não bastava ter uma ou outra faculdade e o estágio certo em certas instituições financeiras para se obter acesso à locação de armazéns na zona do porto. Não! A coisa era bem diferente naquela época. Os barões do café ergueram o império paulistano, moldando a cidade com suas mansões, ferrovias e portos. Uma tradição forjada em terras novas; v elhos vícios em terra nova. A imagem de uma Europa em vias de decadência,  encontrava eco em um país recém-nascido. O Espírito re fazendo o espírito de Pindorama. Para mostrar sua tradição e seu poder, ainda existem sobrenomes de família chamados de quatrocentões, em referência aos quatro séculos de poder e riqueza. São nomes longos, que procuram identificar até a quinta geração, e assim vão-se somando uns aos outros. Os Silva eram evitados, os Costa, raros. A proximidade com a natureza era um anátema para aqueles que se viam como descendentes da ...

Ah! As voltas que a vida dá para reunir velhos amigos

Ah! As voltas que a vida dá para reunir velhos amigos. Como que rodopiando numa espiral, porque nunca volta e sempre encontra o ponto de partida, o ponto de origem. Movimento helicoidal, curva formada pelo enrolamento da parábola vulgar à volta de um eixo; superfície engendrada por uma linha animada; será assim a linha da vida? Hélice, linha engendrada pelo enrolamento regular de uma reta sobre um cilindro. Linha da vida! Tudo parece nada neste mundo dimensionado. Aquilo que parecia inatingível estava dentro de você, o incompreensível vive em cada vida. O tempo não é unidirecional. As coincidências não são fruto do acaso, e três mais quatro só são sete na primeira dimensão. Hehehe! Veja só! Se você somar três e quatro na segunda dimensão você terá cinco e não sete. Coisa de louco? Não. Matemática! Do outro lado do planeta, simultâneamente, uma mulher perde o marido. Recém casada, num belo dia (força de expressão) a polícia em frente a sua casa, a casa que ela construiu, do jeito que el...

Eles tinham tudo. Eram ricos. Muito ricos!

Eles tinham tudo. Eram ricos. Muito ricos! Tinham amigos, poucos. Família com pais, avós, tios, primos, e tudo o mais que constitui uma família feliz. Moravam num apartamento simples por opção, porque gostavam de viajar e viajavam sempre que queriam. Considerado simples por quem esta acostumado com todo luxo que o dinheiro pode comprar, era um apartamento num dos edifícios mais caros da cidade. Já haviam estado em vários lugares do mundo, tinham feito um safari na África, passearam de camelo no deserto de Gizé, ao lado das Pirâmides do Egito, um cruzeiro pelas ilhas gregas, peregrinação na Terra Santa, Machu Pichu, atravessaram o Lago Titicaca, exploraram cavernas, espeleologia, viajaram em lombo de mulas e a cavalo, navegaram na foz do Rio São Francisco, assistiram o encontro entre o Negro e o Solimões, mergulharam em colônias de corais, pesca em alto mar. Paris, Roma, Rio de Janeiro, Buenos Aires... São algumas das cidades que eles gostavam de estar e caminhavam com desenvoltura nas ...

Um homem sentado à beira da praia...

Um homem sentado à beira da praia... Parado. Imóvel há mais de quatro horas. Olhava para o mar... Longe... Quem passasse por alí talvez nem percebesse o que estava se passando dentro daquele homem. Talvez ninguem percebeu que havia um homem. Talvez algumas lágrimas tenham escorrido do seu rosto gordo. Depois ele emagraceria, e muito, muito por causa da dor. Quem conhece a cidade de Santos pode imaginar um homem de boa apariência, nem mais nem menos, nem pobre nem rico, nem alto nem baixo, talvez um pouco robusto, ou gordo, gorducho, também nem tanto. Parece mais ou menos 45 anos, sentado na mureta do quebra-mar, olhando ao longe... Longe... Quem não já fez isso? Esse homem pensava, pensava, pensava: -- Poxa! Não tenho mais dinheiro! Nenhum dinheiro! Nada!... Nada!... Talvez tivessem se passado mais de quatro horas mergulhado naquele pensamento. Não havia outro. Só aquele pensmento. Nem ele sabia quanto tempo esta alí, e ninguém vai saber ao certo. Mas parece que foram mais de quatro ho...