Há uma frase de Santo Agostinho que me acompanha há anos: "Tu eras mais interior do que o íntimo de mim mesmo." Ela me lembra que o caminho para a verdade não é o da fuga para fora, mas o do recolhimento para dentro — para aquele lugar onde Deus habita e onde somos mais nós mesmos do que em qualquer outro lugar. No entanto, esse recolhimento não é fácil. Ele exige que olhemos para as nossas rachaduras. E nós, criados num mundo que celebra a superfície impecável, fazemos de tudo para escondê-las. Durante anos, eu também escondi as minhas. Adiei projetos porque "ainda não estavam perfeitos". Calei ideias por medo do julgamento. Confundi a busca da excelência com a tirania da perfeição. Até que percebi, com o tempo e com a graça, que o maior erro de todos era justamente não querer errar. Escrevi um livro sobre isso. Não porque tenha encontrado a fórmula, mas porque precisei colocar no papel o que a vida me ensinou — a mim e a tantas pessoas que acompanho no consultóri...
Vaso de barro
Único no ecossistema lusófono: um espaço onde fé, ciência e imaginação dialogam para responder à pergunta urgente do nosso tempo: como permanecer humanos?