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Mostrando postagens de outubro, 2026

A ferida aberta: por que nos sentimos sós no mundo — diagnóstico

Foto de SIMON LEE na Unsplash Primeiro de uma série de quatro posts sobre a semiótica de João de São Tomás, John Deely e Scott Randall Paine, e o que ela tem a ver com a nossa vida. Há uma ferida que carregamos sem saber que a temos. Ela não sangra, não dói de forma localizável, não aparece em exames. Mas está lá, e se manifesta na sensação difusa de que estamos separados de tudo. Separados do mundo, separados dos outros, separados até de nós mesmos. Como este post é o primeiro de uma série, vamos começar pelo diagnóstico.   O diagnóstico: uma fratura que não é natural. Imagine que você acorda um dia e descobre que está trancado dentro de um quarto. As paredes são lisas, não há portas, não há janelas. Você consegue ver o mundo lá fora através de uma fresta — mas nunca tocar, nunca cheirar, nunca habitar. Tudo o que você tem são imagens  do que está além. Essa é a condição que a filosofia moderna nos legou. A partir de Descartes, passamos a acreditar que não conhecemos o mundo...