Há uma frase de Santo Agostinho que me acompanha há anos: "Tu eras mais interior do que o íntimo de mim mesmo." Ela me lembra que o caminho para a verdade não é o da fuga para fora, mas o do recolhimento para dentro — para aquele lugar onde Deus habita e onde somos mais nós mesmos do que em qualquer outro lugar.
No entanto, esse recolhimento não é fácil. Ele exige que olhemos para as nossas rachaduras. E nós, criados num mundo que celebra a superfície impecável, fazemos de tudo para escondê-las.
Durante anos, eu também escondi as minhas. Adiei projetos porque "ainda não estavam perfeitos". Calei ideias por medo do julgamento. Confundi a busca da excelência com a tirania da perfeição. Até que percebi, com o tempo e com a graça, que o maior erro de todos era justamente não querer errar.
Escrevi um livro sobre isso. Não porque tenha encontrado a fórmula, mas porque precisei colocar no papel o que a vida me ensinou — a mim e a tantas pessoas que acompanho no consultório, na orientação espiritual, na vida.
O livro se chama "Errando por não querer errar: abrace o caos, resgate a sabedoria e transforme a paralisia em poder", e acaba de ser publicado pelo Clube de Autores.
Nele, procuro mostrar que o erro não é o oposto da santidade. É o caminho. Como o barro nas mãos do oleiro, somos moldados não apesar das nossas imperfeições, mas através delas. A tradição mística cristã sempre soube disso: o felix culpa — "ó feliz culpa" — é a expressão mais alta dessa verdade. O erro que nos humilha é o mesmo que nos abre para a graça.
Não se trata, é claro, de fazer apologia do erro irresponsável. Trata-se de reconhecer que a vida cristã não é a busca da impecabilidade, mas a busca da conversão — a metanoia, essa virada profunda da mente e do coração que nos reorienta para o Bom, o Belo e o Verdadeiro. E a conversão, por definição, pressupõe que algo em nós precisa ser virado do avesso.
Ao longo do livro, caminho com quatro companheiros: Marco Aurélio, que me ensina a razão firme diante da adversidade; Maria, que me ensina a quietude reflexiva; a filosofia Ubuntu, que me ensina que "eu sou porque nós somos"; e os tropeiros, que me ensinaram, na simplicidade da estrada, que o caminho se faz ao caminhar.
O livro está disponível em formato impresso e ebook, com o ISBN 978-65-266-8632-4. Quem quiser conhecer, é só acessar a página do Clube de Autores: https://clubedeautores.com.br
Mas, mais do que convidar você a comprar o livro, quero convidá-lo a uma reflexão: o que você tem escondido por medo de errar? Que projeto, que ideia, que sonho está guardado na gaveta porque "ainda não está perfeito"?
Talvez o tempo de Deus não seja o tempo da perfeição. Talvez seja o tempo da entrega. Do barro que se deixa moldar. Do vaso que aceita ser quebrado para que a luz entre.
"Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós." (2 Cor 4,7)

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