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O plano radical de Deus: muito além do autoaperfeiçoamento



O plano de Deus para me transformar é muito mais radical do que qualquer coisa que eu possa imaginar ou planejar. Posso até decidir simplesmente fazer a coisa certa, escolher o caminho correto, mas isso nunca se resume a um programa de autoaperfeiçoamento. O projeto de Deus é infinitamente mais grandioso. Ele não quer apenas que eu escolha o certo: quer que eu escolha o caminho certo com todo o meu ser.

Por mais que eu às vezes pense de modo diferente, a verdadeira transformação espiritual não se resume a evitar o pecado. Deus quer mudar a forma como escolho, e não apenas o que escolho. Deseja dar-me um transplante de coração: retirar o meu coração endurecido, egocêntrico e teimoso e colocar, em seu lugar, o coração d’Ele. Depois disso, convida-me a deixar que esse novo coração guie todas as minhas decisões — um coração redimido que conduz a escolhas redimidas.

A força de vontade, por mais forte que seja, nunca consegue elevar-me até Deus. Mas, no nível mais profundo e verdadeiro dos meus desejos, já sinto um anseio que me volta para a Vida. E é exatamente aí que tudo começa a transformar-se de novo.

Meus anseios precisam ser realinhados. Deus tem de tornar-se o grande objeto da minha mais profunda aspiração. Só quando isso acontecer conhecerei, de verdade, a liberdade de confiar no meu próprio coração. Somente quando eu não desejar nada além de Deus é que conseguirei desfrutar plenamente de todas as outras bênçãos que Ele concede.

A vida espiritual, para mim, é sempre uma vida unificada, orientada por um único anseio fundamental. A espiritualidade cristã é composta de um coração e uma vontade que se unem em Cristo e se voltam para o Pai amoroso. Por mais esforço criativo que eu faça, é impossível viver simultaneamente no reino do ego e no reino de Deus. Viver de verdade a vida do Deus invisível significa renunciar ao desejo por tudo aquilo que os olhos podem ver. Como diz Thomas Merton: “Possuir Aquele que não pode ser visto é renunciar a tudo que pode ser entendido. Para descansar n’Aquele que está além de todo descanso criado, renuncio ao desejo de descansar em coisas criadas”.

Como já percebi várias vezes, escolher Deus é escolher a vida. Escolher a vontade d’Ele é sair da caverna da minha própria gratificação egocêntrica e voltar para casa, para os braços do Pai amoroso que me espera pacientemente, pronto para a festa. Fico cego, muitas vezes, quando deixo de enxergar que a vontade de Deus é o sonho d’Ele para mim e para o mundo inteiro: um sonho pleno de abundância, de cura, de integridade. É um sonho de vida em comunhão, no reinado do Amor Perfeito.

Após ler até aqui, sei que você provavelmente já compreende algo disso tudo. Talvez, assim como eu, você já tenha experimentado, em alguns momentos, a alegria imensa da entrega total a Deus. Mas também é provável que, após isso, eu (e talvez você) tenha voltado a acomodar-me na vida confortável do reino do ego. Na maior parte do tempo, nem percebo que o estou fazendo. Fico tão insensível ao meu próprio espírito que já não noto quando me afasto do Espírito de Deus.

Que Deus me ajude a prestar atenção aos movimentos do Espírito d’Ele em meu interior. Essa atenção é a essência de escolher Deus em todos os momentos da minha vida. E é também a chave para a verdadeira vida.

Que assim seja. Amém.

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Nota: Texto adaptado e reescrito em primeira pessoa a partir da obra de David G. Benner, Desejar a vontade de Deus (3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2014).
Referência mantida: Thomas Merton, Thoughts in Solitude (Boston: Shambhala, 1993, p. 55).

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