O ÚLTIMO HOMEM LIVRE Pedrinho não tinha nome, apenas um apelido: “ Filho do Seo Pedro ” . Ele foi o primeiro a ser curado da normose . Agora, enxergava o mundo cheio de certezas absolutas e sorrisos perfeitos. Ele via a teia de fios dourados que conectava todos na rua e até sentia inveja. Quis mesmo partilhar daquela teia radiosa e maravilhosa . As pessoas marchavam apressadas e convictas, sorriam e concordavam, faziam seus negócios e prosperavam. Mas, o diagnóstico estava errado. Ele não era o primeiro a ser curado. Era o único que ainda não havia sido infectado pelo novo patógeno tecnológico alienígena de conformidade que varreu a Terra. Os humanos ao seu redor não estavam doentes. Estavam perfeitamente adaptados . Ele era a aberração. A falha. A última peça a ser recolocada no lugar . Anos se passaram. Pedrinho cresceu e virou o Seo Pedro, aquele que se escondia nas sombras, porque doía se sentir livre, o último farol de consciência em um mundo adormecido,...
Único no ecossistema lusófono: um espaço onde fé, ciência e imaginação dialogam para responder à pergunta urgente do nosso tempo: como permanecer humanos?